Após uma sequência de desentendimentos envolvendo autorizações para empréstimos concedidos pela instituição, o presidente da Caixa Econômica Federal (CEF), Maurício Viotti, teve ontem uma áspera discussão com o ministro da Habitação e Bem Estar Social, Prisco Viana, e colocou seu cargo à disposição. Viotti acusou Prisco de ser o responsável pelo estouro nos limites de empréstimos da Caixa, ao autorizar sucessivamente, nos últimos três meses, que desembolsos para financiamento de imóveis fossem feitos, apesar de os limites previstos já terem sido ultrapassados. Prisco, na versão de Viotti, transmitia as autorizações diretamente ao diretor da CEF, Joaquim Santos Filho, passando por cima da sua autoridade de presidente. Interpelado por Viotti que, na ocasião, se fez acompanhar de toda a diretoria do órgão, nem assim o ministro teria cessado de autorizar a concessão dos financiamentos indevidos. Amigo pessoal de Prisco e admirador da atuação de Viotti à frente da Caixa, tendo chegado a intervir na questão, o presidente José Sarney, ao saber do episódio de ontem, já no Maranhão, onde descansa, prometeu à sua família não se envolver de imediato numa tentativa de solução, deixando a decisão do problema para depois de 15 de janeiro, por ocasião da reforma administrativa que irá promover, extinguindo alguns ministérios (JC).