O coronel Manoel Elysio dos Santos Filho, secretário de Polícia Militar, acusa a futura presidente da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, vereadora eleita Regina Gordilho (PDT), de ter-se transformado, por uma sucessão de equívocos, "em defensora da impunidade, da convivência criminosa com o submundo, da passividade intolerável da autoridade" e do crime organizado. A acusação provocou reação imediata dos dirigentes do PDT e de vários vereadores eleitos. Sua condição de presidente indicada da Câmara de Vereadores-- diz o coronel-- "prenuncia, se o comportamento for mantido, tempos inquietantes. Dirigirá o Poder Legislativo municipal pessoa sem discernimento necessário a separar o joio do trigo. A separar a lei do crime, bandido de polícia. Incapaz de diferenciar uma instituição digna, atuante, de eventuais transgressões praticadas por seus agentes em episódios que a própria instituição procurou elucidar prontamente". As declarações do coronel, publicada em nota oficial na imprensa, é a defesa da PM diante da campanha sistemática que Regina Gordilho faz contra a impunidade dos cinco policiais militares que assassinaram seu filho, o professor de Educação Física Marcellus Gordilho, durante uma batida em março de 1987, na Cidade de Deus, Jacarepaguá. Regina, candidatando-se pela primeira vez, tornou-se a 6a. vereadora mais votada do PDT (9.639 votos), baseando-se sua campanha exclusivamente na luta contra a violência. Em homenagem à sua independência e coragem, e aproveitando o 40o. aniversário da Declaração Universal dos Direitos do Homem, o ex- governador Leonel Brizola e o prefeito eleito Marcello Alencar a escolheram para presidir a Câmara Municipal (JB).