Os países latino-americanos altamente endividados transferiram este ano para os países ricos credores 32,9% do valor de suas exportações como pagamento de juros da dívida externa, ou US$30,56 bilhões de um total de US$93 bilhões exportados. A transferência líquida destes recursos e o considerável incremento das taxas inflacionárias foram os pontos que mais negativamente afetaram a economia das nações latino-americanas. Uma pesquisa realizada entre 16 países latino-americanos, revelou um aumento de US$3,56 bilhões ou 13,2% a mais de juros pagos do que no ano passado. Em 87, cerca de US$27 bilhões saíram dos países da região para os cofres dos ricos. O Paraguai registrou o percentual mais alto de comprometimento de suas exportações com o pagamento da dívida externa: 60,8%. A seguir vêm Venezuela (47%), México (45,4%) e Colômbia (43%). Equador e Panamá figuram entre os países que não pagaram juros este ano. Essa gigantesca transferência de riquezas é a principal preocupação dos países endividados, que querem, por isso, reduzir a dívida da região como forma de amenizar também o envio de divisas para os credores. A redução da dívida foi discutida no Rio de Janeiro, na semana passada, pelos ministros dos sete maiores devedores da América Latina ("Grupo dos 8"). Eles reivindicam providências nesse sentido em nível político ainda este ano. Em comunicado conjunto, os ministros deixaram claro que sem uma solução satisfatória para a dívida externa não há como combater de forma eficiente a inflação nem reverter a estagnação econômica. O incremento da inflação, aliás, alcançou níveis espetaculares em alguns casos, como na Nicarágua, que deve chegar aos 10.000% em 1988. Brasil, Peru e Argentina também caminham para elevados índices de inflação. A dívida externa de 16 países latino-americanos investigados se manteve próxima do nível de 1987, alcançando US$401,1 bilhões este ano, ou cerca de US$720 milhões mais que no ano passado. Os países mais endividados seguem sendo Brasil (com US$115,17 bilhões), México (US$107,45 bilhões), Argentina (US$54,3 bilhões), Venezuela (US$31 bilhões) e Chile (US$17,97 bilhões). Destes, dois países conseguiram reduzir sua dívida este ano, através de conversão de títulos em investimento: Brasil (em US$6,13 bilhões) e Chile (em US$1,82 bilhão). Um terceiro país que teve seus compromissos externos diminuídos foi El Salvador, com US$451 milhões. Entre os que apresentavam aumentos de endividamento mais importantes estão Colômbia (US$2,9 bilhões), México (US$2,69 bilhões) e Equador (US$1,53 bilhão). Guatemala e Venezuela não tiveram variação variação em seu nível de débito externo. Em relação às exportações, os países mais importantes foram Brasil (com US$32,5 bilhões), México (US$20,67 bilhões), Venezuela (US$10,5 bilhões) e Argentina (US$7,7 bilhões). Entre os 16 países pesquisados, a taxa de desemprego se manteve nos níveis de 1987, sendo as mais altas as da Nicarágua (31%) e Panamá (18,4%) (O ESP).