Com a difusão das prevenções contra AIDS (Síndrome de Imunodeficiência Adquirida) entre os homossexuais, a incidência da doença aumentou entre mulheres e homens heterossexuais. O alerta foi feito ontem, no Rio de Janeiro, durante a 2a. Teleconferência Pan-Americana sobre AIDS, da qual participaram especialistas como o diretor do programa global da OMS (Organização Mundial de Saúde) sobre AIDS, Jonathan Mann, e o diretor do programa de AIDS do Centro de Doenças Infecciosas de Atlanta (EUA), James Curran. Médicos de 28 países participaram da teleconferência, via satélite. A diretora do Programa Nacional de Combate a AIDS, Lair Guerra de Macedo, disse que o Brasil é o segundo país das Américas com taxa de incidência acumulada da doença, superado apenas pela Guiana Francesa. Segundo ela, cerca de 80% dos casos incidem na faixa etária de 20 a 44 anos e, ao contrário do que se supôs no início da instalação da doença no país, todas as classes sociais são atingidas: entre 1.473 casos analisados, 35% correspondem a pessoas com grau de escolaridade superior e 65% a pessoas analfabetas e com escolaridade média. A transmissão sexual ainda é a principal responsável (71%), seguida da parenteral (19%) e da perinatal (1%). O Ministério da Saúde terá Cz$15 bilhões de verba suplementar para o programa de prevenção contra a AIDS. O anúncio foi feito pelo ministro Borges da Silveira, que pretende utilizar os recursos na construção de 120 novos hemocentros, até 1991. O ministro informou que o BIRD (Banco Mundial) liberou US$8 milhões para serem aplicados no programa nos próximos dois anos (JB) (JC).