Os ministros da Fazenda ou da Economia dos sete países mais endividados da América Latina, que compõem o chamado "Grupo dos 8" (o Panamá não participa mais), concluíram ontem, no Rio de Janeiro, uma proposta para a redução da dívida externa. Os presidentes desses países devem aprovar o texto até o dia 19, quando decidirão sobre a abertura de negociações com os governos dos países credores. A dívida intra-latino-americana chega a US$12 bilhões. Participaram do encontro os seguintes ministros: Maílson da Nóbrega (Brasil), Juan Vital Sourrouille (Argentina), Luís Fernando Alarcón Mantilla (Colômbia), Carlos Rivas Davila (Peru), Ricardo Zervino (Uruguai), Hector Hurtado (Venezuela) e o representante especial do Secretário da Fazenda e Crédito Público, José Angel Gurria (México). No final do encontro foi divulgado nota a imprensa afirmando o seguinte: Os ministros coincidiram em que a dívida intra-latino-americana vem-se
18428 tornando um obstáculo crescente ao comércio e à integração regionais. Manifestaram sua disposição de buscar uma solução para o problema mediante a adoção de critérios novos e a criação de um mecanismo com os seguintes objetivos: -- reduzir o estoque da dívida e negociar acordos mais realistas, que criem condições para o seu cumprimento por parte dos devedores. =-- restaurar as condições para a mobilização de recursos destinados a fomentar o comércio e a integração regional. A partir destes objetos, os ministros manifestaram sua disposição de examinar a adoção de novas modalidades nas negociações da dívida intra- regional com os devedores de seus países, em caráter opcional e voluntário. Os ministros evitaram mencionar os detalhes da proposta acertada ontem. Sabe-se, contudo, que ela inclui um princípio, o da possibilidade de troca da dívida antiga por bônus emitidos com garantia (dada por países desenvolvidos ou organismos multilaterais). Na troca, os devedores se apropriariam de alguma vantagem (FSP) (GM).