Falando na Assembléia Geral das Nações Unidas, ontem, em Nova Iorque (EUA), o líder soviético Mikhail Gorbachev fez uma menção ao Brasil, que qualificou como "potência", e comparou o tratamento dado pelos credores à questão da dívida externa dos países em desenvolvimento ao colonialismo do passado. Em seu discurso, em que o item principal foi o anúncio de uma redução unilateral das Forças Armadas-- diminuir em 500 mil homens, 10% do contingente atual--, o líder soviético defendeu a ampliação do número de parceiros hoje envolvidos nos assuntos internacionais, afirmando: "A realidade atual torna imperativo que o diálogo para uma evolução normal e construtiva dos assuntos internacionais envolva, de forma contínua e ativa, todos os países e regiões do mundo, incluindo as principais potências, como Índia, China, Japão e Brasil". Na questão da dívida externa, Mikhail Gorbachev disse o seguinte: "Encarando realisticamente, devemos admitir que a dívida acumulada não pode ser paga ou refinanciada nos termos originais". "A URSS está disposta a instituir uma moratória de até 100 anos para os juros da dívida dos países mais pobres e, em alguns poucos casos, perdoar todo o montante da dívida" (JB).