Desde junho último, o sangue coletado nos bancos particulares e públicos do Rio de Janeiro não é fiscalizado pelo estado, disse ontem Luiz Felipe Moreira Lima, diretor do Departamento Geral de Higiene e Vigilância Sanitária, órgão da Secretaria Estadual de Saúde. "Falta dinheiro", afirmou ele, justificando a falta de fiscalização. O serviço-- considerado importante para a prevenção da contaminão de AIDS (Síndrome de Imunodeficiência Adquirida) em transfusões-- é minimizado pelo diretor, para quem "fiscalização não é solução". Ele defende a aplicação de dinheiro na reestruturação dos sistemas de coleta e distribuição de sangue "e não na fiscalização". A falta de fiscalização do sangue coletado no Rio de Janeiro está assustando o presidente da ABIA (Associação Brasileira Interdisciplinar de AIDS) e secretário-executivo do IBASE (Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas), Herbert de Souza. Segundo ele, a doença adquire contornos de epidemia e a transfusão de sangue contaminado só piora o quadro. Citando projeções da OMS (Organização Mundial de Saúde), Herbert de Souza disse que no Brasil 400 mil pessoas portam o vírus da AIDS, e que quatro mil são casos comprovados (FSP).