MINISTROS MILITARES VETARAM INFORMAÇÕES AO BIRD

As exigências apresentadas pelo BIRD (Banco Mundial) ao governo brasileiro para a aprovação do empréstimo de US$500 milhões ao setor elétrico foram consideradas pela área militar como uma ingerência indevida em assuntos internos brasileiros. Segundo as informações, os ministros militares que têm assento no Conselho Superior de Política Nuclear (CSPN) e no Conselho de Defesa Nacional se opuseram frontalmente a que o governo submetesse ao BIRD um estudo de viabilidade econômica da usina nuclear de Angra 3, em Angra dos Reis (RJ), como condição para a liberação dos recursos para o setor elétrico. A solução para o impasse passou a ser, ainda de acordo com as informações, eminentemente política, envolvendo tanto a participação da área militar como do Itamaraty. O estudo de viabilidade econômica sobre Angra 3 foi a alternativa encontrada pelo BIRD para obter do governo brasileiro informações mais detalhadas sobre o programa nuclear do país. O Bird não se contentou com as garantias da área econômica do governo, de que os recursos destinados à área elétrica não seriam canalizados para o programa nuclear. A exigência do BIRD, no entanto, chocou-se com a convicção generalizada na área militar brasileira de que o programa nuclear é assunto de segurança nacional, o que justifica o caráter sigiloso das informações (O Globo).