SEM AJUSTE FISCAL DÉFICIT PODERÁ CHEGAR A 2,68% DO PIB

Se o governo não promover um forte ajuste fiscal, o déficit operacional do setor público em 1989 será de 2,68% do Produto Interno Bruto (PIB), em comparação a um déficit estimado de 3,78% do PIB para este ano, e muita acima da meta do governo, de zerá-lo ou reduzi-lo a um patamar muito próximo de zero. Esse déficit está fortemente concentrado nas contas do governo central, já que, pelas previsões oficiais, os governos estaduais e municipais, no ano que vem, devem registrar um superávit de 0,13% do PIB; as empresas estatais, tanto federais quanto estaduais e municipais, participariam com um déficit operacional de 0,06% do PIB e as demais contas do setor público, como Previdência Social, agências descentralizadas e fundos e programas, estariam zeradas. Esses números, acompanhado de uma versão preliminar do orçamento das empresas estatais para 1989, foram levados pelos técnicos do governo à reunião do comitê técnico do Pacto Social, ontem, quando se discutiu a necessidade do governo encaminhar ao Congresso Nacional medidas de ajuste fiscal. O bloco de providências elaborado pelos Ministérios da Fazenda e do Planejamento estão na mesa do presidente José Sarney, que até ontem não se teria manifestado a favor ou contra o "choque fiscal" proposto pela sua equipe econômica. De acordo com os dados levados pelos técnicos do governo ao comitê técnico de representantes dos empresários e trabalhadores, o programa de dispêndios das empresas estatais, elaborado pela Secretaria de Controle das Empresas Estatais (SEST), envolveria receitas totais de Cz$9,78 trilhões a preços de junho deste ano, para uma despesa total de Cz$10,35 trilhões (GM).