DOCUMENTO DIZ QUE IGREJA ABRIGA "DUAS LINHAS EM CONFLITO"

A "retomada do conservadorismo", dentro e fora da Igreja, é "algo patente hoje". A afirmação é de 52 entidades civis e religiosas de São Paulo, no documento intitulado "Dom Pedro Casaldáliga e a Evangelização Libertadora na América Latina". As entidades afirmam que as "restrições disciplinares" a dom Pedro Casaldáliga não representam "uma atitude isolada". Segundo a análise, "diante dos desafios do mundo contemporâneo, a posição da Igreja, como organismo inserido na história da humanidade, apresenta duas linhas de profundo conflito". A primeira é influenciada pelos documentos aprovados no Concílio Vaticano 2o. (realizado de 1962 a 1965). Defende a renúncia da Igreja "à visão medieval que a caracterizava como uma sociedade perfeita, modelo da sociedade terrena, com a missão de conduzir os homens à sua verdade, que é única e imutável". A segunda linha se caracteriza pela tentativa de "anular a abertura do Concílio Vaticano 2o. e de reforçar uma visão da Igreja voltada para si mesma, como fonte de poder e de salvação exclusiva da humanidade". Nesse sentido, a Igreja estaria "saudosa do papel de liderança política e até econômica que exercia no passado". O documento será enviado ao Núncio Apostólico em Brasília, dom Carlo Furno, aos cardeais-prefeitos das Congregações vaticanas para a Doutrina da Fé, Joseph Ratzinger e para o bispo Bernardin Gantin. Assinam o documento, entre outras, a Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo, o Movimento Nacional de Defesa dos Direitos Humanos e a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) (FSP).