Até o final deste século, poderão estar em órbita ao redor da Terra satélites "católicos", competindo com os artefatos espaciais das médias e grandes potências do mundo. Esta é, pelo menos, uma das metas do projeto "Lúmen 2000", um dos segmentos do programa "Evangelização 2000"-- uma cruzada de recristianização do mundo em fase inicial de implantação, que envolve um investimento (no período 1990-2000) de US$400 milhões. Toda essa verba será garantida por um conjunto de fundações européias e norte-americanas. Ainda de acordo com as informações, a primeira experiência de programação mundial via satélite coordenada pelo "Lúmen 2000" foi a transmissão, em seis de junho do ano passado, da cerimônia de abertura do Ano Mariano, no Vaticano. A recitação do terço, feita pelo papa João Paulo II, custou US$2,5 milhões (Cz$1,095 bilhão). Este dinheiro foi doado pela Global Media (US$800 mil)-- empresa norte-americana especializada em transmissões via satélite--, pela transnacional Bic Ben Corporation (US$500 mil) e pela fundação holandesa Testemunhas do Amor de Deus (US$750 mil), presidida pelo industrial Piet Derksen. Na América Latina, o principal parceiro do "Lúmen 2000" é o Conselho Episcopal Latino-Americano (CELAN), com sede em Bogotá (Colômbia). Criado no Rio de Janeiro em 1955, por sugestão de dom Hélder Câmara, o CELAN seguiu uma orientação progressista somente até 1972. A partir desse ano, sob a direção do bispo colombiano Alfonso López Trujillo, hoje cardeal-presidente da conferência episcopal de seu país, o CELAN passou a assumir uma posição cada vez mais conservadora. O presidente da CELAN, dom Dario Castrillon, já dispõe de uma verba inicial de US$6 milhões para iniciar o segmento latino-americano da nova cruzada evangelizadora. Esse dinheiro foi doado por organizações da Alemanha Ocidental, pela ação Lúmen 2000 (que financiará as emissões via satélite) e pelo grupo empresarial Cisneros, da Venezuela (FSP).