A corrupção foi apontada pela população da cidade do Rio de Janeiro como uma de suas maiores preocupações. Para discutir o tema, o Jornal do Brasil e os Postos Itaipava reuniu, num debate, o "Defensor do Povo", Herbert de Souza, secretário-executivo do IBASE(Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas), o presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), seção do Rio de Janeiro, Carlos Maurício Martins Rodrigues, o presidente do DETRAN (Departamento de Trânsito), Alves Brito, e o deputado federal Ronaldo Cezar Coelho (PSDB/RJ). A seguir, os principais trechos do debate: Herbert de Souza-- "a corrupção é proporcional ao nível de riqueza de cada país". "Quanto maior o desenvolvimento, maior a corrupção". "A corrupção não é um problema particular de nenhum país, pode ser encontrada nos mais diferentes países". "A transparência da informação é fundamental para que a sociedade possa controlar o Estado permanentemente e a si mesma". "Se nós descobrirmos as principais condições que favorecem a deterioração dos costumes, estaremos também descobrindo o caminho para produzir o seu antídoto, utilizando outras formas de organização e fiscalização a fim de reduzir a corrupção ao mínimo possível". "Acho, porém, que sempre teremos a corrupção entre nós". Carlos Maurício-- "o brasileiro não inventou a corrupção, assim como também não inventou o futebol". "A corrupção é generalizada, está em todos os lugares". "Temos que ter leis hábeis e capazes de combater a corrupção em todos os níveis, com o compromisso das autoridades públicas de bem executá-las". "Que não se tenham penas oníricas, fantasiosas, mas sim penas executáveis através de multa, do trabalho social, como por exemplo, passar um dia num hospital". Ronaldo Cezar-- "a corrupção não é privilégio do brasileiro, mas a impunidade é própria dos países de segunda classe, dos países em desenvolvimento". "Minha proposta é a reforma do Estado, através do Congresso Nacional, do debate político, que vai desde a matriz de investimentos sociais até o que existe de renúncia fiscal, de incentivo, de subsídios, acumulação de rendas e tudo mais". Alves Brito-- "com um trabalho objetivo para desenvolver a consciência nacional sobre o comportamento corrupto, nós teremos condições de reduzir em mais de 80% essas atitudes aéticas". "Precisamos resgatar os valores morais e intelectuais de uma parcela da sociedade que se locupleta do dinheiro público, especialmente aqueles que têm a responsabilidade de gerenciar a coisa pública". "Na medida em que se cria essa consciência e o administrador se dedica ao trabalho sério e honrado, a corrupção desaparecerá, pois não convive com o trabalho" (JB).