Uma "Trégua Ecológica à Amazônia" com a suspensão por um período mínimo de três anos das atividades minerais, metalúrgicas, viárias e hidrelétricas que impliquem desmatamento em grande escala ou mudança irreversível de ecossistema, e a revisão do modelo de desenvolvimento adotado para a região são as principais recomendações do seminário Futuro da Amazônia, realizado no último dia 18, na COPPE (Coordenação dos Programas de Pós-Graduação em Engenharia), da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro). Esta foi a primeira crítica coletiva ao programa "Nossa Natureza", lançado recentemente pelo presidente José Sarney. A COPPE, o IBASE (Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas), ABA (Associação Brasileira de Antropologia), o Instituto de Estudos Amazônicos, o Conselho Nacional de Seringueiros, o CIMI (Conselho Indigenista Missionário), a Comissão Pró-Índio de São Paulo, parlamentares e funcionários de empresas estatais assinaram um documento final que reconhece que "o governo está sensível aos efeitos da política seguida até hoje" (na Amazônia), mas observa que "os decretos presidenciais recentes constituem um passo importante, mas ainda tímido e insuficiente". O documento afirma que "a eficácia das medidas adotadas (no programa do governo) e a serem propostas exigem não apenas o fortalecimento dos órgãos setoriais específicos envolvidos, mas também uma profunda revisão do papel institucional desses organismos para comprometê-los com a implementação de uma política de meio ambiente e recursos naturais adequada". "Falta agora tornar definitiva a suspensão por 90 dias dos incentivos fiscais e créditos oficiais à agropecuária na Amazônia", pede o documento (JB).