VATICANO ENVIA CARTAS DE ADVERTÊNCIA A BISPOS "PROGRESSISTAS"

A Congregação vaticana para os Bispos acaba de enviar uma série de cartas de advertência a bispos "progressistas" brasileiros. Entre os destinatários dessas cartas estão o cardeal-arcebispo de Fortaleza (CE), dom Aloísio Lorscheider, o arcebispo de João Pessoa (PB), dom José Maria Pires e os bispos de Guaravira (PB), dom Marcelo Carvalheira e das dioceses fluminenses de Nova Iguaçu, dom Adriano Hypólito e Volta Redonda, dom Waldir Calheiros Novaes. As advertências chegam apenas um mês que o bispo de São Félix do Araguaia (MT), dom Pedro Casaldáliga, recebeu uma intimação do Vaticano com várias restrições à sua atuação pastoral. As cartas foram assinadas pelo prefeito da Congregação para os Bispos, cardeal Bernardin Gantin, e contêm os comentários do Vaticano às visitas ad limina apostolurum (realizadas pelo episcopado ao Papa e à Cúria Romana de cinco em cinco anos, conforme as regras do Direito Canônico) que esses bispos fizeram ao Vaticano em 1986. Segundo as informações, a própria CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) vem sendo alvo de críticas registradas em documentos reservados do Vaticano e suas celebrações litúrgicas foram recentemente classificadas, dentro da Cúria Romana, como sendo expressão de "um ato entre os bispos como pessoas e não como uma ação colegiada do episcopado". As cartas estão sendo classificadas por assessores da Igreja como "extremamente duras". O mais atingido pelas advertências é o bispo de Nova Iguaçu (RJ), o franciscano dom Adriano Hypólito. Ele é acusado de "fazer uma administração irresponsável" na diocese, "abrindo caminho para grupos ideológicos" (FSP).