Do total de brasileiros que trabalham com carteira profissional assinada ou mantêm outro tipo de vínculo formal com uma empresa, 50,9% recebem até três salários-mínimos por mês, equivalentes hoje a Cz$47.268,00. Na faixa até cinco salários-mínimos (Cz$78.780,00) encontram-se 71,4% dos assalariados com registro em carteira. Estes dados estão na última edição do relatório anual da RAIS (Relação Anual de Informações Sociais), recentemente concluído pelo Ministério do Trabalho com base em respostas de 1.196.003 estabelecimentos de todo o país. Os números referem-se a dezembro de 1986, mas continuam atuais porque o mercado de trabalho não sofreu, de lá para cá, mudanças tão radicais. Em dezembro daquele ano, os vários setores organizados da economia empregavam formalmente 22.162.128 pessoas. Como a População Economicamente Ativa (PEA) do país estava em torno de 56 milhões de pessoas, número semelhante ao atual, conclui-se que a maior parte delas mantém uma relação de emprego que não é a formal, isto é, com registro na carteira profissional, submissão hirárquica ao empregador e horário pré-estabelecido. Do total de 22,1 milhões de empregados registrados nas empresas, 18,1 milhões eram contratados pela CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) e 2,3 milhões como estatutários-- este, concentrados no setor público. Ainda de acordo com o relatório, dos 22,1 milhões de empregados, 14,8 milhões ganhavam até cinco salários-mínimos, e apenas 678.064 pessoas (3,27% do total) recebiam remuneração mensal acima de 20 salários-mínimos (Cz$315.120,00 hoje). O relatório da RAIS também comprova a situação desfavorável à mulher no mercado de trabalho. Entre os homens, 46,80% recebiam remuneração mensal até três salários-mínimos, enquanto entre as mulheres, esse percentual sobe para 59,45%. Com salário acima de 20 salários-mínimos estavam 4,14% dos homens. Entre as mulheres, apenas 1,48% (FSP).