O primeiro orçamento do Município do Rio de Janeiro elaborado pelo prefeito Saturnino Braga (PSB) para o exercício de 1987 ultrapassou em 107% a previsão inicial, obrigando o Executivo a pedir à Câmara Municipal 379 créditos suplementares, mais de um por dia. Esta foi uma das descobertas da Federação das Associações dos Servidores do Município (FAS-Rio), a analisar os orçamentos de 1986 e 1987, na busca de explicações para a anunciada "falência" do Rio de Janeiro. Depois de esmiuçar os relatórios do TCM (Tribunal de Contas do Município), a diretoria do FAS-Rio elaborou um documento apontando várias distorções e irregularidades-- que não foram reveladas. Eles pretendem entregar este documento aos vereadores, que ainda não aprovaram o relatório do Tribunal de Contas, na expectativa de que a Câmara modifique o parecer favorável ao TCM. Os servidores constataram que o orçamento do primeiro ano do governo Saturnino Braga (elaborado por seu antecessor, Marcelo Alencar) ultrapassou a previsão inicial em apenas 0,68%, enquanto o primeiro orçamento elaborado pelo prefeito para seu segundo mandato ultrapassou em 107%. Baseado nesta verificação, a FAS-Rio lembra no documento que o prefeito contou com o apoio da Câmara Municipal para a concessão de tantos créditos suplementares, não se excedendo só no percentual de créditos extras para o pagamento dos servidores. A lei permite um "estouro" de até 30% no orçamento para o pagamento da folha. Exatamente neste item, o prefeito só chegou a 10% (JB).