O presidente José Sarney enfrenta um impasse nas suas relações com os governadores: o seu projeto de orçamento da União para 1989, que está no Congresso Nacional, recebeu um veto político de 16 governadores do PMDB, reunidos ontem, em Brasília, com o presidente do partido, deputado Ulysses Guimarães (SP). O veto é sobre a forma de os estados pagarem à União as dívidas externas que assumiram, com avais do governo federal. No projeto orçamentário, impunha-se aos governos estaduais o pagamento, em 1989, de 25% de todo o "estoque" de débitos decorrentes da "rolagem" das dívidas contratadas nos últimos cinco anos. Pressionados pela necessidade política de acelerar obras nos estados, com o objetivo de tentar vencer as eleições municipais de novembro próximo, e diante da perspectiva de operarem em plena sucessão presidencial com cofres esvaziados pelos pagamentos ao Tesouro Nacional, os governadores mobilizaram-se: foram ao Congresso e, aparentemente, garantiram a mudança nesse trecho do projeto do governo José Sarney. Estão em jogo US$2,7 bilhões, que é quanto os estados teriam de desembolsar para a União no próximo ano, se mantido o projeto original do orçamento. A proposta dos governos estaduais prevê o pagamento de somente 10% da dívida externa vencível no próximo ano, com a consequente "rolagem" do restante, inclusive das parcelas que vencerem até o final de 1988 (GM) (O Globo).