FMI SÓ APÓIA "CHOQUE" COM ACORDO DE EMPRESÁRIOS E SINDICATOS

O FMI (Fundo Monetário Internacional) só apoiaria um choque na economia brasileira, inclusive com desindexação, se o presidente José Sarney, o Congresso Nacional, os sindicatos e empresários dessem "um mínimo de apoio" aos ministros da Fazenda, Maílson da Nóbrega, e do Planejamento, João Batista de Abreu. Este é o diagnóstico da equipe do Fundo que está no Brasil. Thomas Reichmann, chefe da missão de consulta do FMI, tem mostrado muito ceticismo com relação ao comportamento da economia brasileira em seus encontros no país. Ele tem dito que há seis anos vem acompanhando o país, e, que, no momento, não é possível obter uma solução razoável para a inflação brasileira, por causa da falta de condições objetivas para uma mudança de política econômica. Ontem, em Brasília, ele não quis comentar o apoio a um possível "choque" na economia por parte do FMI: Isto é uma questão de política interna em que o FMI não interfere". O chefe da missão do FMI, Thomas Reichmann, informou que a liberação da próxima parcela do financiamento concedido pelo Fundo ao Brasil dependerá da aprovação do pedido de "waiver" (perdão), a ser encaminhado pelo governo brasileiro à direção do FMI, pelo descumprimento das metas fixadas para o déficit nominal no trimestre de julho a setembro deste ano. Segundo ele, não está descartada a possibilidade de que a instituição suspenda a liberação da segunda parcela (do financiamento total de US$1,5 bilhão), prevista para o final do mês de novembro, no valor aproximado de US$45 milhões (FSP) (O Globo).