PROÁLCOOL PODERÁ PROVOCAR UMA CRISE NO ABASTECIMENTO

O programa do álcool, o PROÁLCOOL, lançado para resguardar o país de
17491 uma crise de petróleo, transformou-se no vilão que provocará a pane no
17491 abastecimento de combustíveis na próxima década. O país poderá atingir
17491 a autosuficiência na produção de petróleo mas continuará a depender do
17491 mercado externo para colocar os excedentes de gasolina ou importar óleo
17491 diesel-- se for obrigada a reduzir a carga das refinarias para diminuir a
17491 produção de gasolina-- caso o governo não mude os rumos do proálcool. O
17491 programa do álcool se sustenta através de subsídio-- Cz$16,79 por
17491 litro-- e cada queda do preço do petróleo no mercado internacional
17491 torna-se mais inviável. A PETROBRÁS, nesta última semana, conseguiu
17491 comprar algumas cargas a US$9 FOB o barril, enquanto o custo equivalente do
17491 álcool eleva-se a US$48. Mesmo considerando-se a redução dos preços do
17491 petróleo no mercado externo como conjuntural, não se espera que as
17491 cotações ultrapassem a barreira de US$20 o barril até a virada do
17491 século. De nada adianta o álcool ser produto nacional, produzido em
17491 cruzados, se não houver mercado para o excedente de gasolina. Neste caso,
17491 o país será obrigado a reduzir o volume de óleo refinado-- para diminuir
17491 a produção de gasolina-- e terá de importar óleo diesel para atender ao
17491 abastecimento interno, gastando-se portanto as divisas que o PROÁLCOOL
17491 prometia economizar. O álcool substitui um único derivado de petróleo, a
17491 gasolina, produto que não pode deixar de ser extraído do petróleo. A
17491 continuar a queda de demanda da gasolina, motivada pela maior entrada no
17491 mercado de carros a álcool (90% da produção automobilística) e o
17491 sucateamento dos automóveis à gasolina, em 1997 o consumo deste derivado
17491 de petróleo será de 39 mil barris diários, contra os atuais 115 mil
17491 barris por dia, sem condições de ser totalmente colocado no mercado
17491 externo. O atual consumo de álcool eleva-se a 197 mil barris diários. O presidente da PETROBRÁS, Armando Guedes, acha que, a permanecer a situação, o abastecimento de combustíveis será inviável na próxima década. Se não houver ao menos uma harmonia entre a produção de carros movidos a álcool e à gasolina, dividindo-se igualmente a produção das duas versões de automóveis, não haverá condições de se administrar o abastecimento (JB).