Em documento enviado à CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), o cardeal-arcebispo de Fortaleza (CE), dom Aloísio Lorscheider, condenou a intenção do Vaticano de centralizar o poder até agora exercido no âmbito das conferências episcopais. Ele afirma que a proposta da Santa Sé "gera muita perplexidade e se apresenta confusa, contraditória e pouco lógica", além de ser falha por não considerar a prática eclesial das conferências. As alterações das responsabilidades das conferências episcopais foram sugeridas pelo documento "Status teológico e jurídico das conferências episcopais", elaborado pela Congregação dos Bispos com colaboração das Congregações da Doutrina da Fé, das Igrejas Orientais e da Evangelização dos Povos, a pedido do papa João Paulo II. O documento, que não tem caráter definitivo, foi enviado às conferências episcopais de todo o mundo para análise e proposição de emendas. A CNBB enviará seu parecer até o dia 31 de dezembro próximo. O consultor jurídico da CNBB, padre Gervásio Fernandes Queiroga, considera sem precedentes uma das restrições contidas na proposta do Vaticano: submeter à sua revisão quaisquer documentos de caráter doutrinal aprovados por dois terços dos membros da conferência episcopal. Em documento redigido em agosto passado, o padre menciona que o Vaticano também pretende restringir aos concílios plenários o poder decisório das questões doutrinais mais importantes, aquelas que dizem respeito a uma nação (O Globo).