A Anistia Internacional lança hoje, em todo o mundo, seu relatório anual de 1988 relativo a 1987 sobre a situação dos direitos humanos em 135 países. Segundo o documento, o panorama mundial no campo dos direitos humanos é "lamentável". O relatório afirma que centenas de pessoas, muitas delas crianças, são submetidas a tortura em mais de 1/3 dos países de todo o mundo. Tortura e maus tratos a presos comuns, aumento das denúncias de ação dos esquadrões da morte e assassinatos relacionados pela disputa por terras no Pará são as principais denúncias do relatório sobre o Brasil. O documento cita também os "prisioneiros de consciência", referindo-se à prisão, com base na LSN (Lei de Segurança Nacional), de Danilo Groff, membro do PDT, e de Maurício Pencak, líder sindical. Os dois foram presos e ficaram cinco dias incomunicáveis por terem sido acusados de organizar o apedrejamento ao ônibus do presidente José Sarney, no Rio de Janeiro, em 1987. Entre outros casos, o relatório lembra o do professor de natação Marcellus Gordilho, morto pela Polícia Militar no ano passado. De novembro de 1986 a abril de 1987, segundo a Anistia Internacional, houve mil assassinatos cometidos por grupos de extermínio no Rio de Janeiro (FSP) (JB).