Desestabilizar o governo José Sarney e, mais tarde, desencadear a luta
17404 armada. Esses são os objetivos a médio e longo prazos das OS
17404 (Organizações Subversivas) que atuam no Brasil, segundo a visão do Exército brasileiro. Essa posição foi defendida na 17a. Conferência dos Exércitos Americanos, realizada em Mar del Plata (Argentina), de 16 a 20 de novembro de 1987, em relatório lido pelo general-de-brigada Paulo Neves de Aquino, sub-chefe de gabinete do Estado-Maior do Exército brasileiro. A curto prazo, a estratégia das OS preveria a infiltração nos governos
17404 federal, estadual e municipal e nos partidos, o domínio do movimento
17404 sindical; por intermédio da CUT (Central Única dos Trabalhadores) e CGT
17404 (Central Geral dos Trabalhadores), a tentativa de convulsão social, com a
17404 greve geral, e uma influência decisiva sobre a Constituinte. O relatório brasileiro se divide em duas partes: o exame da situação do país e as conclusões. O estudo diz que a estrutura social brasileira apresenta campo fértil para a "prédica subversiva". Para alcançar seus objetivos, as OS poderão usar tanto a via pacífica como a luta armada, dependendo das condições do momento histórico brasileiro. Elas se concentram no chamado "trabalho de massas", que privilegia quatro setores: a área estudantil, o setor sindical, o movimento religioso e o movimento popular. Na área estudantil, o Exército inclui ainda os professores e os empregados de instituições de ensino. No setor sindical merecem destaque a CUT, a CGT. Já a USI (União Sindical Independente) não tem nenhuma expressão dentro da área trabalhista, de acordo com a avaliação do estudo. As CEBs (Comunidades Eclesiais de Base) são definidas como "o maior trabalho de massa desenvolvido no país". No campo do movimento popular, os militares mencionam cinco itens: feministas, manifestações comunitárias e defesa dos direitos humanos, além dos movimentos negro e ecológico. No campo político, o Exército garante que dos 559 constituintes, 30% são militantes ou simpatizantes das OS. Os partidos mais sujeitos à infiltração seriam o PMDB, o PT e o PDT. O estudo do Exército diz que as OS tentam mudar o destino constitucional das Forças Armadas, "para afastá-las da segurança interna". Outros objetivos seriam a extinção do SNI (Serviço Nacional de Informações) e do serviço militar obrigatório e a anistia à reintegração dos militares afastados e punidos durante o período do golpe de 1964. A Conferência dos Exércitos firmou 15 acordos que prevêem, basicamente, o combate ao comunismo e ao narcotráfico com a união dos Exércitos e sua atuação comum. Além do Brasil, participaram da Conferência representantes dos exércitos dos EUA, Argentina, Bolívia, Venezuela, Colômbia, Chile, Equador, Uruguai, Peru, Paraguai, Panamá, El Salvador, Honduras e Guatemala. O México esteve presente na condição de observador (Revista Afinal no.214).