CONGRESSO DISCUTE VIOLÊNCIA A MENORES NO RIO DE JANEIRO

A cidade do Rio de Janeiro sediou, durante a semana passada, o VII Congresso Internacional de Prevenção aos Maus-Tratos e Negligência na Infância. Durante três dias foram relatados e discutidos problemas de toda a sorte sobre a situação do menor. Ao final, o presidente do VII Congresso, José Raimundo da Silva Lipi, anunciou a criação da "Carta do Rio de Janeiro", com sugestões de profissionais de todas as áreas científicas ligadas à questão da infância. Na Carta estão modificações que os especialistas sugerem nas leis que dispõem sobre o destino da criança. Durante três anos o juiz de Direito e de Menores da Comarca de Serrita, em Pernambuco, Celmilo José Gusmão, reuniu depoimentos e fotos para a denúncia que finalmente pôde levar, na semana passada, durante o encontro no Rio de Janeiro. O juiz mostrou a tragédia de meninos e meninas de até cinco anos de idade que trabalham como lavradores na zona rural de seu estado. O estudo foi realizado na região de Quipapá, Mata Sul de Pernambuco, onde o juiz viu meninos cortadores de cana iniciando a jornada de trabalho às quatros horas da manhã. Ele percorreu também as lavouras das localidades de Gameleira e Camocim de São Félix, onde observou que o agrotóxico é aplicado sem o cuidado de se afastar os trabalhadores da plantação. Segundo ele, por diversas vezes, viu meninos e meninas empenhados na tarefa de amarrar os pequenos pés de tomate em estacas de madeira, ao mesmo tempo em que o defensivo agrícola ia sendo pulverizado sobre os canteiros (O Globo).