VATICANO REITERA ADVERTÊNCIA A DOM PEDRO CASALDÁLIGA

O vice-chefe da assessoria de imprensa do Vaticano, dom Giovanni De Ercole, reiterou ontem a advertência dirigida ao bispo de São Felix do Araguaia (MT), dom Pedro Casaldáliga, um dos principais membros da corrente progressista da Igreja brasileira. Dom Giovanni disse que o Vaticano não determinou que dom Pedro Casaldáliga mantivesse "silêncio obsequioso" por um período indeterminado. Segundo ele, o bispo brasileiro "foi convidado a ser fiel aos ensinamentos da Igreja e não interferir nas questões de outras Igrejas, visitando dioceses em outros países sem o consentimento do bispo local". A chamada "ala progressista" da Igreja Católica brasileira reagiu à punição a dom Pedro Casaldáliga. Em nota que está sendo distribuída às dioceses os bispos afirmam que "como Igreja, nos sentimos no dever de manifestar nossa profunda comunhão ao dom Pedro". "O seu trabalho e a sua palavra são, para nós, e para todo povo latino-americano, uma fiel expressão do Evangélio de Jesus Cristo na linha do Concílio Vaticano II e do documento do Conselho Episcopal Latino-Americano, emitido em Medellin (1968) e em Puebla (1979), e em plena comunhão com a fé apostólica". A nota é encerrada com um compromisso: "nada nos fará abandonar o serviço efetivo aos povos indígenas, a caminhada dos lavradores e operários e a solidariedade latino-americana, especialmente aos povos irmãos oprimidos da América Central". A nota, encabeçada pelo bispo de Goiás, dom Tomás Balduíno, não foi assinada pelo presidente da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), dom Luciano Mendes de Almeida (FSP) (JB).