GRUPO DOS 24 DIZ QUE SOLUÇÃO DA DÍVIDA ESTÁ NO CRESCIMENTO

O elemento mais renovador do caráter moderado da proposta dos países em desenvolvimento para resolver o problema das dívidas externas não se encontra em nenhum dos 63 parágrafos do documento oficial divulgado ontem em Berlim Ocidental (Alemanha). O texto não menciona o perdão parcial da dívida dos países de renda média-- grupo em que o Brasil se encontra--, apesar de a proposta estar sendo discutida pelos representantes dos países credores ("Grupo dos Sete"). O ministro da Fazenda do Brasil, Maílson da Nóbrega, que presidiu a reunião do "Grupo dos 24", disse que a solução do problema da dívida está no retorno do crescimento econômico dos países em desenvolvimento, o que seria obtido com a reversão do fluxo internacional de recursos que nos últimos anos foi desfavorável ao Terceiro Mundo. O documento tirado do encontro menciona superficialmente que os ministros da Fazenda do "Grupo dos 24" querem que o serviço da dívida (tudo o que os países pagam em juros e principal) seja limitado a uma porcentagem das receitas com exportação sem, no entanto, fixar um número. O ministro brasileiro disse que "em alguns casos seria contra-produtivo, pois poderia estimular alguns países a exportar menos". Porque isso reduziria o pagamento da dívida externa. O documento adverte os dirigentes dos principais países ricos de que eles estão tendo uma reação exagerada em relação à perspectiva inflacionária. O texto lembra que o aumento das taxas de juros para desaquecer as economias e conter a inflação agrava o problema das dívidas externas. O documento afirma ainda que os países industrializados devem assumir a responsabilidade central na estratégia da dívida e que os bancos devem entrar com determinação nas novas realidades do mercado, que indicam o benefício comum do alívio do fardo da dívida (FSP).