A antropóloga Marita Koch-Wesser, do Departamento Brasil do BIRD (Banco Mundial), admitiu ontem, em Berlim Ocidental (Alemanha), que a instituição falhou na elaboração de projetos no Brasil, como o do Pólo Noroeste, onde financiou a pavimentação de uma estrada e um programa de proteção ambiental. Ela destacou, no entanto, que os cuidados com a estrada foram bem maiores do que com o meio ambiente. "Esse projeto serviu como um aprendizado para nós", admitiu ela. Já no Projeto Carajás, disse ela, sofremos uma frustação: financiamos com US$70 milhões (Cz$23,8 bilhões)
17279 um programa de proteção ambiental que funcionou bem de 1982 a 1986. ""Só que hoje o governo brasileiro dá incentivos fiscais para transformar a floresta que protegemos em carvão vegetal, para a produção de ferro-gusa". A funcionária do BIRD viu-se obrigada a fazer esse tipo de denúncia depois de ter assistido, nos últimos dois dias, a algumas manifestações de grupos ecológicos que estão acusando o BIRD de financiar a destruição da Amazônia. A maioria deles vem distribuindo panfletos dizendo que a floresta brasileira tem sido destruída por causa da dívida externa: o dinheiro gerado pelos projetos agropecuários e madeireiros seria utilizado para pagar os juros desse débito, segundo os ambientalistas alemães (O Globo).