ROBERTO MARINHO DIZ QUE NÃO RECEBEU TV DE MILITARES

O presidente das Organizações Globo, Roberto Marinho, contestou ontem, no Rio de Janeiro, a acusação publicada em artigo do "ombudsman" do jornal norte-americano "The Washington Post" segundo a qual a Rede Globo apoiou os governos militares em troca de obtenção de concessões de canais de televisão. Roberto Marinho disse que nenhuma concessão de TV VHF foi outorgada à Globo pelo governo desde 1962. Segundo ele, a Globo comprou de particulares todas as suas emissoras, com exceção da emissora do Rio, que foi concedida pelo presidente Juscelino Kubitschek em 1957, e da emissora de Brasília, que foi concedida pelo presidente João Goulart em 1962. Roberto Marinho disse que "apoiou a ação construtiva dos governos militares", mas "fez questão de não obter favores". O vice-presidente executivo das Organizações Globo, João Roberto Marinho, disse que a Rede Globo nunca obteve empréstimo de grande valor de bancos oficiais, com a exceção do aval fornecido em 1966 pelo Banco do Estado da Guanabara para Roberto Marinho comprar a participação do grupo norte-americano Time-Life na Rede Globo (FSP).