O bispo de São Félix do Araguaia (MT), dom Pedro Casaldáliga, vai resistir às punições que o Vaticano decidiu aplicar contra ele, como o silêncio obsequioso e restrições na liberdade de viajar. Ele está preparando um processo, com base no Código de Direito Canônico, em que pedirá esclarecimentos ao Vaticano sobre as medidas. Além disso, o bispo anunciou em comunicado à impremsa ontem que não vai assinar a intimação que lhe foi enviada, há uma semana, pelas Sagradas Congregações para a Doutrina da Fé e para os Bispos, do Vaticano. Ele disse que a Intimação" não contém nenhuma assinatura nem o selo da Congregação. Na Intimação", dom Pedro Casaldáliga é "solicitado" a assinar uma confissão de culpa sobre seu apoio à Teologia da Libertação, suas críticas à Cúria Romana, a atuação em São Félix do Araguaia e ainda sobre as viagens à América Central, sobretudo à Nicarágua. O cardeal do Rio de Janeiro, dom Eugênio Salles, disse estar de acordo com a decisão do Vaticano de punir com o silêncio, a censura prévia e com a limitação de movimentos, o bispo dom Pedro Casaldáliga. O teólogo franciscano Leonardo Boff, autor da Teologia da Libertação e o último a ser punido pelo Vaticano com o "silêncio obsequioso", disse ontem, em Petrópolis (RJ), que a punição aplicada a dom Pedro Casaldáliga "revela a estratégia conservadora de setores importantes do Vaticano que, para atingir seus fins, não temem usar métodos escusos, estremamente ditatoriais, abominados durante o regime militar de segurança nacional: a violação do direito de expressão e locomoção" (FSP) (O Globo) (JB).