BRASIL ASSINA ACORDO COM BANCOS CREDORES

O ministro da Fazenda, Maílson da Nóbrega, e os bancos credores do Brasil assinaram ontem, em Nova Iorque (EUA), o acordo de reescalonamento da dívida externa, sem que o dinheiro total do acordo-- US$5,2 bilhões-- estivesse garantido pelos bancos. "Os comprometimentos dos bancos com os novos créditos chegaram a aproximadamente US$5,2 bilhões", afirmou Willian Rhodes, diretor do CITIBANK e coordenador dos bancos credores do Brasil. A assinatura do acordo foi realizada às pressas, para evitar o risco de ser impugnado pelo Congresso Nacional, que terá poderes para isso após a promulgação da nova Constituição, em cinco de outubro. O acordo assinado ontem proporcionará ao país US$5,2 bilhões em três parcelas: US$4 bilhões em outubro, US$600 milhões em dezembro e US$600 milhões durante o primeiro semestre de 1989. Isso não significa, no entanto, que o país vá receber em dinheiro para utilizar onde bem entender. Mais da metade do dinheiro será para pagamentos dos juros atrasados. Dos US$4 bilhões de outubro, US$3 bilhões sequer sairão dos cofres dos credores, pois serão utilizados para pagar juros atrasados de 1987, conforme ficou acertado no acordo interino, fechado no fim do ano passado. O ministro da Fazenda disse que o Brasil cumprirá sem problemas os compromissos em relação à expansão da base monetária, limitando o crescimento a 375%, assim como a redução do volume da dívida externa e o nível das reservas monetárias. "O que provavelmente teremos que discutir com o Fundo Monetário Internacional (FMI) a partir de novembro é o provável "waiver" (perdão) para a meta nominal do déficit público", disse o ministro. Este perdão será necessário porque o Brasil não cumprirá a meta do déficit devido ao descontrole do processo inflacionário (FSP) (JB).