OPERÁRIOS REÚNEM-SE COM CARDEAL DO RIO DE JANEIRO

O cardeal-arcebispo do Rio de Janeiro, dom Eugênio Salles, recebeu ontem um grupo de operários da construção civil, representantes do movimento de oposição à diretoria do Sindicato da categoria, no poder há 38 anos. Depois de uma reunião a portas fechadas, o cardeal declarou-se solidário aos trabalhadores que acusaram a atual diretoria de "fazer manobras políticas e conchavos com os patrões". Entre as acusações está a de que o presidente do Sindicato, Arnaldo Coelho, de 76 anos, estaria dificultando a sindicalização dos operários que votariam contra ele, nas próximas eleições, marcadas para o início do ano que vem. Segundo um dos líderes da oposição, Leônidas Cardoso, "só consegue se sindicalizar quem garante o voto a Arnaldo Coelho, cuja maioria dos eleitores é de aposentados que recebem privilégios por conta dos votos". Dos 250 mil operários do Rio de Janeiro, só três mil são sindicalizados. Como a maioria dos trabalhadores da construção civil é de nordestinos, a exigência do título de eleitor, que obriga a transferência do documento para o Estado do Rio de Janeiro, é um dos fatores que dificultam a sindicalização (JB).