Os dirigentes de empresas nacionais e multinacionais acreditam que o consumidor pagará pelos direitos constitucionais conquistados pelos trabalhadores na nova Carta. Nos cálculos da Shell, a folha de pagamento de seus 3,2 mil empregados deverá aumentar 16%, embora a empresa já adote a jornada de 40 horas semanais. Com baixo índice de rotatividade de mão-de-obra, a indenização sem justa causa não chega a preocupar a Shell. As maiores despesas serão com licença maternidade e horas extras. A empresa já tem um plano de salários que inclui um aumento percentual a cada cinco anos trabalhados. Na White Martins, com uma folha de pagamento de US$6,5 milhões mensais e 11 mil empregados, o custo adicional será de 15%. O presidente da empresa, Félix Bulhões, só viu mérito na determinação de o empregador pagar multa de 40% sobre o FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) no caso de demissão sem justa causa. O presidente da empresa acha "uma piada de mau gosto" a licença paternidade. Na Induco, o presidente, Antônio Carrera, acredita que terá de gastar 40% mais com sua folha de pagamento com 750 empregados. Ele tem certeza, de que isto não trará problemas, porque todos os custos serão repassados aos preços. Para o presidente da Paraibuna de Metais, Raimundo Pessoa, os direitos sociais assegurados pela nova Constituição "darão mais segurança ao operário". Com 860 empregados na Paraibuna e uma folha de pagamento de US$700 mil e 1,8 mil empregados na FICAP, que custam US$1,7 milhão, o empresário acha que as duas folhas aumentarão entre 10% e 15%, mas, embora estes custos devam ser repassados aos preços, o efeito disto na inflação será irrisório pois, segundo Raimundo Pessoa, os preços subirão entre 1% e 1,5% em função dos direitos sociais, "menos do que muita gente gasta num fim de semana em farra e jogatina" (JB).