A Anistia Internacional divulga hoje, em todo o mundo-- a partir de Londres (Inglaterra)--, dois relatórios e uma nota sobre violências no meio rural brasileiro, afirmando que mais de mil pessoas foram assassinadas em disputas pela posse da terra no Brasil desde 1980 e que somente em três casos os culpados foram condenados pela Justiça. O documento diz que a grande maioria das vítimas tem sido índios ou camponeses, mas também foram fuzilados ou ameaçados advogados, padres, freiras e militantes sindicais. Cinquenta casos de irregularidades e falhas em inquéritos policiais são citados como prova da "forma leviana" com que a Polícia tem investigado esses crimes. Os dirigentes da Anistia Internacional estão, também, encaminhando hoje um apelo ao presidente José Sarney para que tome "medidas urgentes para pôr fim à campanha de terror e assassinato desenvolvida por pistoleiros, contratatados por fazendeiros, em áreas rurais do norte do Brasil". Os relatórios da Anistia Internacional resultam das informações recebidas em Londres desde 1980 e de investigações feitas no Brasil, em 1986 e 1987, por delegações internacionais da Anistia. A CPT (Comissão Pastoral da Terra) tem catalogados 47 casos de asssassinatos por questões fundiárias, entre os meses de janeiro atá 10 de agosto deste ano. A CPT considera, também, como assassinatos, a morte de 27 trabalhadores ruais bóias-frias, em todo o país, este ano (FSP) (O Globo).