Mais da metade das mulheres entre 20 e 50 anos, moradoras na Favela da Rocinha, na Zona Sul do Rio de Janeiro (capital), ficaram grávidas pela primeira vez entre 16 e 20 anos. E 27,2% perderam, involuntariamente, o filho durante a gravidez. Dessas, 34% atribuíram a causa a "brigas com o companheiro e susto". O aborto voluntário foi praticado alguma vez por 19,2% e o método mais utilizado (59%) é a curetagem feita por médico. Em cada 100 faveladas, 14 nunca usaram qualquer método anticoncepcional, 24 já ligaram as trompas (60% antes dos 30 anos) e 45,6% usam métodos anticoncepcionais. Sete em cada 10 mulheres adotaram a pílula. A pesquisa é da antropóloga Diana Valadares, da socióloga Sívia Sanches, ambas da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais, e da socióloga Karin Gissin, da UNICEF. Os dados constam do livro escrito por elas entitulado Mulheres, participação e saúde: uma experiência (JB).