BB E BNDES FINANCIARAM PROJETO JARI

A Companhia Jari deverá transformar em pastos para búfalos a área de 14 mil hectares destinada pelo milionário norte-americano Daniel Keith Ludwig à empresa São Raimundo Agroindustrial para o plantio de arroz. Mas até agora a única decisão adotada pelo conglomerado empresarial brasileiro, que assumiu a Companhia do Jari, formado por 22 grupos, foi a de desativar o projeto. Dos 14 mil hectares de área de várzea, 12.700 são cultiváveis, mas a São Raimundo Agroindustrial só conseguiu plantar 3.625 hectares, que no ano passado produziram 25 mil toneladas de arroz beneficiado. O Projeto Jari foi encampado por empresários brasileiros em 1982 por US$60 milhões, mas o Banco do Brasil acabou assumindo uma dívida de US$184 milhões que Daniel Keith Ludwig contraiu junto à empresa japonesa Iskawajima Harima Industries, construtora da fábrica de celulose e de uma usina termelétrica, ao preço de US$218 milhões. Ludwig contratou a empresa japonesa com aval do BNDES, que também financiou US$34 milhões que já haviam sido pagos quando o projeto foi nacionalizado. Com a queda dos preços da celulose no mercado internacional, a partir de 1982, a Companhia do Jari sofreu um prejuízo operacional de US$25 milhões e apresentou à Secretaria do Planejamento da Presidência da República um plano de recapitalização, que previa subscrição e integralização imediata de capital da Companhia Florestal Monte Dourado pelo Banco do Brasil (com US$56 milhões) e BNDES (com US$47 milhões). O Tesouro Nacional entraria com um desembolso de US$184 milhões, que seriam repassados ao BNDER para pagamento da antiga dívida para com o grupo japonês (JB).