O avanço do feminismo na Igreja Católica é uma das principais preocupações do Vaticano. O papa João Paulo II publicará, brevemente, um documento teológico e antropológico sobre o papel da mulher na Igreja e na sociedade, indicando os caminhos oficiais a serem seguidos pelos católicos nessa discussão. De acordo com estatísticas do Vaticano, as mulheres representam a metade dos 926 milhões de católicos no mundo e as religiosas são dez vezes mais numerosas que os religiosos. Segundo as informações, a hegemonia da mulher católica torna-se cada vez maior à medida em que se multiplicam as Comunidades Eclesiais de Base, nas quais a direção e a liderança-- principalmente na América Latina-- são femininas. Apesar dessa progressiva hegemonia, as mulheres ainda ocupam, oficialmente, um lugar secundário na Igreja. Elas são apenas 5% de todos os funcionários da Cúria Romana (conjunto dos ministérios e organismos do governo central da Igreja), em funções subalternas. A lei máxima da Igreja-- o Código de Direito Canônico-- afirma, no seu cânon (artigo) 1.024 que "somente um homem batizado pode receber validamente a ordenação sagrada", proibindo, assim, o acesso das mulheres ao sacerdócio. Em 1977, a Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé publicou a declaração Inter Insigniores", afirmando que "a Igreja, por fidelidade ao exemplo de seu Senhor, não se considera autorizada a admitir as mulheres à ordenação sacerdotal". Teólogas católicas e pastoras evangélicas brasileiras estão criando um Grupo Ecumênico de Articulação das Pastoras, com o objetivo de confrontar e desmascarar todo tipo de desigualdade existente na Igreja e
16853 na sociedade. Essa experiência é uma das atividades do decênio ecumênico de solidariedade das igrejas com as mulheres que o Conselho Mundial de Igrejas, com sede em Genebra (Suiça), está promovendo até 1998 (FSP).