Vários artistas, representantes de sindicatos e partidos políticos, autoridades e parentes de vítimas da AIDS (Síndrome de Imunodeficiência Adquirida) lotaram ontem um palanque no centro do Rio de Janeiro para protestar contra a comercialização de sangue e derivados. O secretário municipal de Saúde, José Assad, anunciou a criação de uma divisão de controle dos hospitais e bancos de sangue, que entrará em funcionamento nos próximos dias. O controle será feito por seis médicos e 25 agentes sanitários, com sistema de computação que indicará quando e quais bancos de sangue foram fiscalizados até que a Constituição seja promulgada. O Congresso Constituinte aprovou no primeiro turno uma emenda que próibe que sangue e derivados sejam fonte de lucros. Durante o ato público, que reuniu cerca de 300 pessoas, o presidente da FIOCRUZ (Fundação Instituto Oswaldo Cruz), Sérgio Arouca, afirmou que a situação com o comércio de sangue é alarmante. Segundo ele, uma pesquisa feita no ano passado pelo órgão comprova que 20% dos mendigos do Rio de Janeiro têm AIDS, e que muitos vendem sangue aos bancos. Discursaram também o presidente da ABIA (Associação Brasileira Interdisciplinar de AIDS), Herbert de Souza, também secretário-executivo do IBASE (Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas), a viúva do cartunista "Henfil", Lúcia Lara, o cantor Djavan, a atriz Joana Fomm, o ex-senador Luís Carlos Prestes, e o jurista Nilo Batista, entre outros (JB).