O presidente José Sarney encerrou ontem sua agenda de trabalho na Bolívia e retorna hoje ao Brasil, depois de passar três dias em La Paz, sede do governo boliviano. O presidente brasileiro assinou 10 acordos de cooperação com o seu colega boliviano, Victor Paz Estenssoro. O principal deles refere-se à compra de gás natural boliviano, que terá duração de 25 anos, a partir de 1992. O acordo define que o Brasil irá adquirir 500 megawatts de energia a ser gerada por uma termelétrica que será implantada pelo governo boliviano dentro de seu território, 200 mil toneladas por ano de uréia e 100 mil toneladas por ano de polietileno, produzidos a partir de gás natural, e mais 150 mil metros cúbicos de gás/dia para serem empregados por fábricas produtoras de cimento em Corumbá (MS). Essa quantidade de gás se somará a outros 2,85 milhões de metros cúbicos/dia necessários para gerar a energia térmica e confeccionar os produtos. A aquisição de outros 3 milhões de metros cúbicos/dia de gás natural, item que consta dos acordos assinados, está sujeita a uma avaliação sobre a demanda do lado brasileiro. O presidente da PETROBRÁS, Armando Guedes Coelho, disse que o gás boliviano não poderá sair por mais de US$2,40, nem menos de US$1,00 por milhão de BTU (medida calorífera). Além da definição sobre a questão do gás, os dois presidentes acertaram acordos sobre outros nove itens, envolvendo desde a cooperação no controle de endemias, a aquisição de energia elétrica da futura usina Cachuela Esperanza, empenho conjunto no combate ao tráfico de drogas até a liberação do mercado brasileiro a cerca de 700 produtos bolivianos, que passarão a ter alíquota zero de imposto e processo de liberação imediata. Em 1987, as vendas do Brasil para a Bolívia somaram cerca de US$259 milhões e o Brasil comprou da Bolívia apenas US$19 milhões (FSP) (GM).