A usina hidrelétrica de Balbina completa nesta semana o enchimento parcial de seu lago, inundando uma área de 1,6 mil quilômetros quadrados de floresta no norte do Estado do Amazonas. Ao mesmo tempo, faz emergir antigas críticas à obra e ao prejuízo ambiental que pode causar. Quando completo, seu reservatório inundará 2.360 quilômetros quadrados, tamanho pouco menor que o lago da hidrelétrica de Tucuruí (PA), capaz de gerar quase 30 vezes mais energia elétrica que Balbina. A falta de conhecimentos científicos sobre o comportamento da floresta amazônica com relação a um represamento dessa ordem faz surgir críticas de ambientalistas, para os quais haveria ali um desastre ecológico. Para o cientista Rogério C. de Cerqueira Leite, "seria mais barato plantar uma floresta energética na mesma área inundada, capaz de produzir numa usina termoelétrica duas ou três vezes mais eletricidade do que em Balbina". Localizada no Rio Uatumã, a 177 quilômetros de Manaus, Balbina deverá suprir 60% de geração de energia por queima de óleo diesel que atualmente abastece Manaus. No planejamento de sua construção, em 1978, a potência máxima instalada de 250 megawatts por hora era considerada suficiente pela ELETRONORTE para o mercado manauara e hoje está suplantada. O parque térmico da cidade ainda funciona, queimando por dia 480 toneladas de óleo diesel. O assessor da presidência da ELETRONORTE, Maurício Esteves Coelho, calcula que a nova hidrelétrica construída ao custo atual de US$800 milhões pode pagar seus próprios custos em cerca de 14 anos, com a economia na importação de petróleo da ordem de US$50 a US$60 milhões anuais. Na área da hidrelétrica de Balbina existe a reserva dos índios Waimiri-Atroari, extinta em 1981 e hoje Interditada temporariamente para fins de atração e pacificação", conforme decreto federal. A população atual das duas tribos é de 374 índios, divididos em 10 aldeias que ocupam uma área aproximada de 2.440.000 hectares. Duas aldeias-- Tupupunã e Taquari, com 35 a 72 indígenas residentes cada uma, respectivamente-- tiveram que ser recolocadas em função do enchimento da represa (FSP).