O presidente José Sarney utilizou-se ontem de rede nacional de rádio e televisão, durante 28 minutos, para dizer que o atual projeto de Constituição poderá deixar o país Ingovernável". Segundo ele, se o texto constitucional for aprovado no segundo turno de votações sem nenhuma modificação, haverá um impacto imediato sobre o Orçamento Geral da União de Cz$2,2 trilhões (cerca de US$12,6 bilhões). Sarney listou consequências negativas que o texto traria, entre elas o desemprego, hiperinflação, desencorajamento da produção, indução ao "ócio e à improdutividade" e transformação do Brasil "em uma máquina emperrada". Foram 14 pontos do projeto de Constituição criticados diretamente pelo presidente José Sarney. Ente eles, a "brutal explosão de gastos públicos", cujo valor reputou como Incalculável"; o sistema tributário que, afirmou, determinará "uma perda de receita próxima de 20% já em 1989"; o direito de greve que "permite a greve política" e a paralisação de funcionários públicos; o dispositivo que revoga todos os decretos leis não apreciados pelo Congresso Nacional até a promulgação da nova Carta; e o sistema de seguridade social que, calculou, levará a Previdência Social a um déficit de Cz$630 bilhões (o número apresentado pelo presidente é diferente dos cálculos do ministro da Previdência, Renato Archer, que em documento entregue ao próprio Sarney não previu nenhum déficit) (FSP).