As três mil famílias de pequenos produtores rurais de 16 cidades da região do Alto Uruguai, no Rio Grande do Sul, que terão suas terras alagadas em decorrência da construção de hidrelétrica de Machadinho, cuja barragem formará um lago de 234 quilômetros quadrados, decidiram lutar conta a execução das obras, cancelando seus acordos com a ELETROSUL, subsidiária da ELETROBRÁS, e proibindo o ingresso dos funcionários encarregados de fazer os levantamentos físicos e sócio-econômicos da área. A decisão foi tomada ontem, em assembléia-geral, na localidade de Brechim, com a participação de duas mil pessoas, que depois saíram em passeata até o escritório da ELETROSUL. Lá, eles queimaram não apenas as cópias dos acordos que haviam sido feitos com a ELETROSUL-- que previam que as desapropriações seriam pagas em dinheiro, à vista, ou através de novas terras--, mas ainda alguns dos marcos que funcionários da empresa colocaram nas propriedades, indicando até onde o alagamento chegaria (JC).