O governo norte-americano publicou ontem, oficialmente, a lista de produtos brasileiros exportados aos EUA que poderão sofrer sobretaxação de até 100%, praticamente inviabilizando sua entrada naquele mercado. Na lista constam madeiras e móveis, celulose e papel, calçados de borracha e mocassins, equipamentos de som, de rádio, de telefonia e de eletricidade, automóveis e chassis de veículos, armas leves, jóias e objetos de adorno pessoal, e pedras e metais preciosos. Desta lista inicial, que o USTR (United States Trade Representative) calcula somar US$200 milhões aproximadamente, serão escolhidos os produtos a sofrerem, efetivamente, sanções. O governo brasileiro prevê que a medida efetiva seja tomada contra exportações que totalizem algo entre US$30 milhões e US$40 milhões, menos de 1% das vendas brasileiras aos EUA. O governo brasileiro protestou formalmente ontem no GATT (Acordo Geral de Tarifas e Comércio) contra a decisão dos EUA de impor restrições econômicas. O subsecretário-geral de Assuntos Econômicos e Comerciais, embaixador Sebastião do Rêgo Barros Neto, afirmou ao Comitê de Negociações Comerciais do GATT, reunido em Genebra (Suíça), que o Brasil está confiante de que "não deixará de haver uma forte reação a esta tentativa de escárnio às regras do Direito". Em seu pronunciamento, o embaixador acusou os EUA de estar violando os princípios elementares de direito internacional e do GATT (FSP) (JC).