NATALIDADE NO BRASIL CAI 19% EM QUATRO ANOS

A taxa de fecundidade da mulher brasileira caiu 19% entre os anos de 1980 e 1984 devido, principalmente, ao uso indiscriminado das ligaduras de trompa que provocam a esterilização irreversível. Dois terços das mulheres casadas de Goiás evitam filhos e 79,6% delas estão estéries por usar esse método. Em Pernambuco, a proporção de mulheres esterelizadas sobre o total de mulheres casadas que evitam filhos chega a 60%. Em São Paulo a proporção é de 37,3% e, no Rio de Janeiro, de 45%. Estes dados constam do estudo "Perfil estatístico de crianças e mães no Brasil", que o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) divulgaram ontem, no Rio de Janeiro. Em 1980, a taxa de fecundidade da mulher brasileira (número médio de filhos nascidos vivos durante a fase reprodutiva feminina, considerada pelo IBGE para efeito estatístico como sendo as da faixa entre 15 e 49 anos) era de 4,35 filhos e em 1984 esta taxa havia recuado para 3,53 filhos. Em 20 anos-- entre 1960 e 1980-- a taxa de fecundidade no Brasil caiu 50% enquanto que os países europeus levaram meio século para registrar tal queda de fecundidade de suas mulheres. De 1980 a 1984 houve uma redução de 16,5% na taxa de fecundidade das mulheres camponesas do país e de 16,9% das mulheres urbanas. Foi na região centro-sul que houve a maior queda: 23,6% no meio rural e 22,9% na área urbana. Os técnicos do IBGE que participaram da pesquisa informaram que a queda da fecundidade registrada a partir de 1980 entre as mulheres de baixa renda não reflete um planejamento familiar consciente, mas a esterilização indiscriminada, sobretudo nas regiões norte e nordeste. Dados colhidos pelo IBGE na PNAD (Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílios) de 1986 e que ainda estão sendo compilados mostram que os hospitais públicos têm participado ativamente na esterilização das mulheres de baixa renda no norte e nordeste: 57% das esterilizações feitas no Rio Grande do Norte ocorreram em hospitais do INAMPS (Instituto Nacional de Assistência Médica e Previdência Social). O mesmo ocorreu com 41% das esterilizações no Piauí e com 37% das esterilizações em Pernambuco. A queda na taxa de fecundidade da mulher brasileira levou o IBGE a refazer as projeções de crescimento da população para os próximos anos: a projeção para o ano 2000 está sendo recalculada para 180 milhões de habitantes, ou seja, 20 milhões de brasileiros menos do que havia sido projetado com base no censo demográfico de 1980. A população infantil (de zero a 14 anos) que no censo de 1980 representava 38% da população total, deve representar 32% no ano 2000 e apenas 25% no ano 2025. O número de velhos (acima de 60 anos) em contrapartida, deverá subir dos atuais 4% para cerca de 9% (FSP).