Apesar de ter assumido o governo sob o "slogan" "é proibido gastar", a Nova República não cumpriu com esta determinação. Pelo contrário, seus gastos com custeio cresceram 25% nos dois primeiros anos-- 1985 e 1986-- em comparação com 1984, invertendo o processo de queda nas despesas observadas durante o ano de 1982. Enquanto em 1984 o consumo final das administrações públicas federal, estadual e municipal (excluindo as empresas estatais) havia sido de 8,19% em proporção ao PIB (Produto Interno Bruto), no ano seguinte esse índice pulou para 9,63% e em 1986 atingiu 10,22% do PIB, o maior percentual desde 1976 sem incluir os 10,37% do produto registrado em 1982. O que esses dados mostram é que, pelo menos nos seus dois primeiros anos,
16164 hão houve um esforço da Nova República"" para cortar suas despesas com custeio", afirmou ontem o economista da PUC-RJ (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro), Rogério Werneck, que fez esses cálculos a partir dos números divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) para as contas nacionais, de 1970 a 1986. Dos componentes das despesas governamentais, o item responsável por esse crescimento nos gastos são os salários e encargos, que também se expandiram 25% de 1984 para 1986. Na opinião do economista, esse aumento deve-se basicamente à recuperação nos salários dos funcionários públicos. "O arrocho salarial de 1984 não prosseguiu nos anos posteriores", acrescentou Rogério Werneck (GM).