GOVERNO ENVIA CARTA DE INTENÇÃO AO FMI

O Brasil pagará este ano aos bancos estrangeiros privados, aos bancos centrais dos países desenvolvidos ligados ao Clube de Paris e às agências multilaterais de crédito um total de US$10,2 bilhões relativos aos juros líquidos da dívida externa brasileira. O desembolso está previsto no balanço de pagamentos previsto pelo governo para este ano, que deverá conter um superávit de US$5,4 bilhões, resultado do reescalonamento da dívida e obtenção de novos financiamentos externos por parte de fontes oficiais e bancos estrangeiros. Os números foram divulgados ontem pelo secretário-geral adjunto do Ministério da Fazenda, Michal Gartenkraut, ao anunciar que o governo brasileiro solicitou ontem formalmente, através de uma carta, um empréstimo de US$1,436 bilhão ao FMI (Fundo Monetário Internacional). Junto à carta, endereçada ao diretor-gerente do Fundo, Michel Camdessus, o governo enviou três documentos: o Programa de Modernização e Ajustamento para 1988 e 1989, apresentado aos governadores pelo presidente José Sarney no último dia 16 de maio; uma nota explicativa sobre o programa; e um memorando técnico, estabelecendo as metas trimestrais de desempenho da economia brasileira até dezembro próximo, semelhantes às cartas de inteção contidas no acordo entre Brasil e o FMI em 1982. Na carta, o ministro da Fazenda, Maílson da Nóbrega, do Planejamento, João Batista de Abreu, e o presidente do Banco Central, Elmo Camões, afirma que as autoridades brasileiras acreditam que as medidas de política econômica já adotada são suficientes para que sejam atingidos os objetivos do programa econômico-- o principal deles é a meta de déficit público de 4% do PIB (Produto Interno Bruto) para este ano. Mas admitem a possibilidade de serem adotadas "medidas adicionais" para assegurar os gastos públicos este ano através de consultas ao FMI. Na carta, o governo brasileiro se compromete a perseguir um programa que inclui no mesmo tempo propósitos de combater a inflação, manter o desempenho vigoroso da área externa, restaurar o crescimento econômico e reduzir as disparidades de distribuição de renda (FSP) (JB).