AMATO TEME O DIREITO DE GREVE

Os empresários da indústria estão particularmente preocupados com a ratificação, no segundo turno da Assembléia Constituinte, do direito irrestrito à greve. "Esse item é muito mais grave do que se imagina", disse ontem o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), Mário Amato, após reunião do Fórum Informal de Empresários com outros líderes do empresariado nacional, para definição estratégia que pretendem adotar na tentativa de alteração dos 24 pontos que consideram prejudiciais na nova Constituição. "O direito irrestrito à greve é perigoso também para os próprios políticos", disse Amato. Corremos o risco de instaurar uma república sindicalista" com greves por qualquer coisa, que tiraria o poder até dos partidos e dos políticos". Amato disse que a atuação dos empresários junto aos constituintes será feita democraticamente, através de um trabalho de informação dos parlamentares, "sem dispêndio financeiro". Dos 24 pontos, o presidente da FIESP considera especialmente preocupante a limitação em seis horas para o trabalho realizado em turnos ininterruptos de revezamento e o prazo prescricional da ação trabalhista. Realizada ontem na FIESP, a reunião contou também com a participação de Abram Szajman, presidente da Federação do Comércio de São Paulo; Romeu Trussardi Filho, presidente da Associação Comercial de São Paulo; Benedito Dario Ferraz, presidente da Federação das Empresas e Transportes Rodoviários do Sul-Centro-Oeste do Brasil; Paulo Queiroz, presidente do Sindicato dos Bancos de São Paulo, Paraná, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul; e Fernando Vergueiro, vice-presidente da Sociedade Rural Brasileira (GM) (JB).