O projeto de integração das economias brasileira e argentina, iniciado em novembro de 1985, com um encontro dos presidentes José Sarney e Raul Alfonsín em Foz do Iguaçú, entrou numa fase crítica. O Brasil está com um saldo comercial de US$400 milhões (Cz$75,28 bilhões), em relação à Argentina e se o desequilíbrio não for imediatamente corrigido, a Argentina terá que pagar, em dólar, o que deve. "A integração foi projetada justamente para evitar o desembolso, por parte do Brasil e da Argentina, de divisas estrangeiras. Mas quando o desequilíbrio na balança comercial chega a este nível, o sistema de troca de produtos deixa de existir", explicou o embaixador Carlos Bruno, subsecretário de Assuntos Econômicos da Chancelaria argentina. Nas próximas semanas, uma delegação do Itamaraty e da CACEX chegará a Buenos Aires para negociar uma forma de corrigir o desequilíbrio. Os argentinos se queixam de que o Brasil não cumpriu os acordos de compra de seus produtos agrícolas, como o arroz, feijão e trigo. É que a CACEX atrasa a liberação das vias de importação. Nos protocolos de integração assinados pelos governos de ambos países, o Brasil se comprometeu a comprar, em 1988, 1,4 milhão de toneladas de trigo argentino. Mas, justamente este ano, graças a uma queda do salário real, um corte dos subsídios e uma supersafra de 6 milhões de toneladas, sobrou trigo no Brasil. A importação de trigo argentino passou a ser um problema, porque além de desnecessária implicaria em gastos com armazenagem. Os argentinos, por outro lado, também não estavam interessados em cumprir o protocolo. Com a seca nos EUA, os preços do trigo no mercado internacional saltaram de US$135 a tonelada para US$160. O Brasil não queria pagar a diferença, mas compradores do produto aos preços atuais não faltam. Por isso a Argentina concordou em substituir 200 mil toneladas de trigo, que seriam exportadas para o Brasil, pelo equivalente em dólares de milho (O Globo).