O acordo de renegociação da dívida externa conseguido pelo ministro da Fazenda, Maílson da Nóbrega, traz efetivamente pontos positivos e inovadores, mas também contém aspectos problemáticos, polêmicas concessões feitas aos bancos credores e, o que é mais importante, não soluciona a questão das elevadas transferências de recursos ao exterior. Ao contrário, de acordo com dados preliminares calculados pelo chefe do Centro de Estudos Monetários da FGV (Fundação Getúlio Vargas), no Rio de Janeiro, Paulo Nogueira Batista Júnior, as transferências reais de recursos aumentarão significativamente neste ano, retornando ao nível de 5% do PIB (Produto Interno Bruto) verificado no período de 1983 a 1985, quando o Brasil sofreu o impacto mais violento da crise da dívida. Resultante da limitada redução nos pagamentos de juros alcançada pelo acordo e da continuação da necessidade de obtenção de gigantescos saldos na balança comercial, o aumento das transferências de recursos ao exterior irá contribuir para agravar ainda mais a situação financeira do setor público. De acordo com o chefe da FGV, o seu principal efeito negativo é forçar o governo a expandir a dívida pública ou aumentar a expansão monetária para fazer frente às pressões sobre a política monetária provocadas pelos mega-superávits comerciais (JB).