MIRAD PAGA CZ$2,350 BILHÕES POR CASTANHAIS DE LATIFUNDIÁRIOS

O MIRAD (Ministério da Reforma e Desenvolvimento Agrário) comprou, por Cz$2,350 bilhões, no sul do Pará, 229.673 hectares de terras. Situação jurídica confusa, cheia de posseiros, com nenhuma ou pouquíssimas benfeitorias, as terras não valeriam a metade dos Cz$10 mil e cz$14 mil que o MIRAD pagou pelo hectare. Autorizada por oito portarias publicadas no Diário Oficial da União no mês de abril, a compra beneficia os latifundiários do chamado Polígono de Marabá, Xinguara, São João de Araguaia e Conceição do Araguaia, em boa parte dos quais ainda se trava conflitos pela posse da terra. O MIRAD optou pela compra, segundo o ministro Jáder Barbalho, porque as áreas estão registradas como empresas rurais-- "e nesse caso não cabe a desapropriação por interesse social". Embora os castanhais nativos estejam muito longe do que possa considerar uma empresa rural-- o sistema que ainda prevalece é o do mais puro extrativismo. O ministro priorizou o critério político: "Os castanhais do sul do Pará eram um dos maiores focos de conflitos fundiários do país, com grande número de mortos". Das 14 empresas rurais beneficiadas, uma única família-- a dos Mutran-- vendeu 120.939 hectares por pouco mais de Cz$1,2 bilhão. Um dos seus membros, o empresário Benedito Mutran, vendeu cinco áreas, no valor de Cz$350 milhões. Os empresários ficaram tão satisfeitos que publicaram uma página de agradecimentos e elogios no jornal "Diário do Pará", do próprio ministro da Reforma Agrária. O pagamento das terras será feito em Títulos da Dívida Agrária (TDAs), durante cinco anos (JB).