O capital estrangeiro responde hoje por quase 30% da produção industrial brasileira e foi responsável por 27,4% das exportações do país no período de 1978 a 1986, somando US$51,7 bilhões. Esse desempenho permitiu o acúmulo de um saldo de divisas na balança comercial brasileira de US$24,3 bilhões, deduzidas as importações de empresas estrangeiras (que representaram 17,9% do total importado pelo país, incluindo petróleo). O superávit comercial obtido pelas empresas estrangeiras instaladas no país é superior ao total de capitais remetidos a título de lucros e dividendos, que foi de US$7,3 bilhões de 1978 a 1986 e permitiu um saldo de US$17,1 bilhões favorável ao Brasil, nesse período de comparação. Esses números constam de um estudo sobre a participação do capital estrangeiro no Brasil divulgado ontem pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). De acordo com o documento, as empresas estrangeiras possuem atuação destacada em todos os setores pesquisados pelo banco. Numa amostra realizada pelo BNDES, a participação na receita total do capital estrangeiro em diversos setores é a seguinte: mineração (36,8%), metalurgia (35,5%), material elétrico (83,9%), telecomunicações (53%), informática (79%), microeletrônica (63,8%), eletrônica de entretenimento (majoritário), equipamentos mecânicos (29,8% a 56,4%, dependendo da área), automobilística (39,9%), autopeças (68,6%), química e petroquímica (56,2%), celulose (23,2%), papel (25,2%), borracha (85,6%), alimentos (25,3%) e fumo (96,6%) (GM).