PAÍSES INDUSTRIALIZADOS PROMETEM ALIVIAR PESO DA DÍVIDA

Os dirigentes dos sete países mais industrializados (EUA, Japão, Canadá, Alemanha Ocidental, Itália, França e Grã-Bretanha) encerraram ontem, em Toronto (Canadá), a sua 14a. reunião anual na qual decidiram manter as atuais políticas macroeconômicas, além da promessa de tomar medidas para aliviar o peso da dívida externa dos países mais pobres. No comunicado final do encontro, eles elogiaram a cooperação econômica que possibilitou as atuais taxas de crescimento e reiteraram a necessidade e os benefícios desta cooperação dos países industrializados para prosseguir o crescimento "equilibrado". Quanto à questão que mais divide os integrantes do "Grupo dos Sete", os subsídios agrícolas, os dirigentes reunidos em Toronto não conseguiram chegar a um acordo. O governo norte-americano, apoiado pelo canadense, pretendia conseguir um compromisso em torno da sua proposta de extinguir todos os subsídios mundiais até o fim do século, mas o Japão e os países da Comunidade Econômica Européia (CEE) barraram a proposta. No que se refere à dívida externa dos países mais pobres, os governos dos países industrializados também não chegaram a nenhum acordo. As alternativas colocadas em questão prevêem a concessão aos países endividados de prazos mais longos de pagamento, reduções ou subsídios nas taxas de juros ou, ainda, o cancelamento de uma parte da dívida. Esta proposta se restringe aos países de renda baixa (menor que US$480 "per capita") e inicialmente deverá ser aplicado a 17 países mais carentes localizados ao sul do Saara na África. Isto significa que ele não representa nenhum alívio para os países endividados da América Latina. Para tratar destes países, o Japão apresentou uma proposta que visa a conferir a ele um papel mais importante como país credor, condizente com a sua posição de potência econômica. O Plano Miyazawa, como ficou conhecido, prevê a criação de um fundo no FMI (Fundo Monetário Internacional) para funcionar como garantia do processo de conversão de uma parte da dívida externa em títulos negociáveis (securitização). O fundo seria constituído das reservas internacionais dos países endividados e haveria outro fundo, formado pelo depósito anual dos lucros de exportação dos países devedores (FSP).